26.2.12

Raoul Vaneigem (n.1934)

Como pudemos chegar a esta fúria económica
que remete o planeta para a avidez financeira,
não tolerando rasto de vida
que não mereça ser sacrificado no altar do lucro,
pilhando os recursos humanos, animais, vegetais e minerais,
com uma raiva lucrativa
que é a própria essência do niilismo e do terrorismo.
O poder do dinheiro e o dinheiro do poder
sempre foram inseparáveis.
A loucura do dinheiro e do poder desenfreado
caminham lado a lado,
fustigados pela avidez ascética
e pelos prazeres reduzidos aos dejectos da carência afectiva.
No seu rasto,
o dinheiro sempre atraiu o sangue, a corrupção, a violência.
Os privilégios exorbitantes que lhes são doravante consentidos,
acrescentam o ridículo ao odioso.
Os poderosos de outrora não desperdiçavam uma oportunidade
de fazer uma despesa tão sumptuária quanto tola.
Os seus festins e bailaricos ostentatórios
exibiam com cinismo,
perante as multidões exploradas, admirativas e frustradas,
o fausto já putrefacto dos seus prazeres mercenários.
Ontem, eles compravam uma cavalariça,
hoje cavalgam o dividendo ao domicílio,
o telemóvel enxertado no próprio ouvido
ou no do adulador que os bajula.
Tomando à pressa o tempo de sujar o apetite universal
com o lucro da alarvidade mercantil,
já faltou mais para se enfrascarem com vinho Pétrus,
deglutirem de uma assentada uma onça de caviar,
caçarem de metralhadora
(foi oficialmente proibido atirar sobre os índios da Amazónia),
entregarem-se à fornicação nos haréms da frigidez afectiva.
Escravos de uma substância morta
que alimentam com o seu vão e patético frenesi,
apenas concebem a vida mutilada.
Estivessem sozinhos,
entregues à auto-mortificação,
e nada teríamos a fazer.
Mas reinam pelo medo e pelo desespero que os habitam,
que propagam como uma semente de morte.
Longe de conseguir
pôr este engenho fora do seu alcance maléfico,
vemos a maioria consentir a anormalidade das suas mentiras,
vêmo-la aceitar as reduções de salários,
vergar-se sob a ameaça do desemprego,
afundar-se no desespero,
plesbicitar os demagogos cuja política é a do Père Ubu,
fazer de cães dóceis que rosnam baixinho
em vez de resfolgarem
e de ariscarem a aventura da vida e do desejo.
Ora, de que precisarão então
para aplicar impunemente
o seu programa de devastação lucrativa?
Apenas que sejamos iguais a eles,
tão vazios, tão inconsequentes, tão mortíferos.
Que por nossa própria iniciativa
nos acomodemos a uma existência mutilada,
que nos atormentemos com os tormentos deles,
nos angustiemos com os pesadelos que escarram
na incerteza de um dividendo
que lhes estrague a digestão e as comichões genitais?
Que estejamos atentos
aos boletins de saúde jornalísticos
que incitam a comportarmo-nos
bem ou mal,
conforme os negócios piorem ou “a crise chegue ao fim.”
Assim, o grito das revoltas sem esperança
e as advertências sem efeito
misturam-se com as suas vitórias,
em que apenas o dinheiro e a morte ganham.
O dinheiro superabundante,
usado para se reproduzir,
e o dinheiro cuja carência compromete a sobrevivência,
têm um efeito comum:
matam a imaginação e a criatividade.
Onde prima a voz do dinheiro,
nada mais se exprime para além do vazio afectivo.
O dinheiro tem tudo e não é nada,
tudo compra e nada dá.
A fé no dinheiro é o credo que assombra os guetos dos ricos,
onde ele é mexido sem ser tocado,
e os guetos dos pobres,
onde ele é perseguido até poder ser alcançado,
na noite angustiante da precariedade quotidiana.
Não há homem, nem mulher, nem criança, nem chimpazé,
nem floresta, nem cereal, nem paisagem,
em relação aos quais os direitos do comércio
não retirem o direito de existir segundo a gratuidade natural.
O sentido humano está votado a desaparecer
pela última razão de que não é rentável.
Um sistema que oprime o ser humano
para extrair uma onça de ouro ou de dinheiro
não pode consagrar outra coisa que não o triunfo da morte.
Nunca conhecemos mais nada para além de um mundo absurdo,
que vai de apocalipse em apocalipse,
dançando a moda da agonia no contratempo do desejo e da vida.
Eis porque o sofrimento,
inscrito nos fundamentos da história dos homens,
está de tal forma estampado no rosto dos recém-nascidos.
É um destino bastante lamentável,
aquele de tantas gerações,
acostumadas a olhar para a morte
como o deplorável consolo de uma existência
onde os prazeres efémeros se pagam com os piores infortúnios.
Mas é também o verdadeiro milagre da humana natureza,
que sob o tédio da sobrevivência
e a corrosão dos pensamentos mortíferos,
subsista um fermento de vida que aspira a germinar,
na alegria de um mundo reinventado.

13.1.12

31.12.11

12.12.11

9.12.11

22.11.11

um romance tech noir

Menos 40% para o teatro em Portugal com João Mota a ser director nacional, chuva, frio, vento sombrio, muitos dramas na tv, os conservadores conservam a Espanha e na Suiça três ex-banqueiros nunca mais querem ganhar dinheiro, fazem yoga e reiki, falam da sociedade feudal que lamentam ter descoberto em todo o seu horror a ser banqueiros dela, um romance tech noir.

Gerald Celente sobre o estado do Mundo enquanto decorre o G20

17.11.11

Sem frio nos olhos, contra a corrupção e os crimes contra a humanidade em Angola

À
Procuradoria-Geral da República de Angola
Rua 17 de Setembro, Cidade Alta
Luanda

Digníssimo Procurador-Geral da República
 General João Maria Moreira de Sousa

Rafael Marques de Morais, [dados pessoais omitidos] vem apresentar, nos termos da Constituição (art. N.º 73),


QUEIXA-CRIME


Contra:
OS SÓCIOS DA SOCIEDADE LUMANHE – EXTRACÇÃO MINEIRA, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO, LIMITADA (cfr. DR, III Série, nº 33, 2004), Rua Comandante Dangereux, n.º 130, Luanda:
(...)

OS GESTORES E REPRESENTANTES DOS SÓCIOS DA SOCIEDADE ITM-MINING LIMITED, com sede em Corner House, 20, Parliament Street, Hamilton HM 12, Bermudas, e escritório de representação em Angola na Rua Joaquim Kapango, nº 19-B, r/c, Luanda.
(...)
OS SÓCIOS DA SOCIEDADE TELESERVICE – SOCIEDADE DE TELECOMUNICAÇÕES, SEGURANÇA E SERVIÇOS, Avenida 4 de Fevereiro nº 208 1º Esq, Luanda:
(...)
O DIRECTOR GERAL DA SOCIEDADE TELESERVICE – SOCIEDADE DE TELECOMUNICAÇÕES, SEGURANÇA E SERVIÇOS, VALENTIM MUACHALECA, Avenida 4 de Fevereiro nº 208 1º Esq, Luanda.
(...)


2.11.11

Começo do fim

                   

7.9.11

call for actors


CASTING
O Teatro Municipal de Almada realiza um casting nos dias 19 e 20 de Setembro para seleccionar actores para a reposição do espectáculo “Santa Joana dos Matadouros”, de Bertolt Brecht, com encenação de Bernard Sobel, que estará em cena entre os dias 2 e 20 de Novembro na Sala Principal do TMA.
O período de ensaios é entre 1 e 31 de Outubro.
Os interessados (pretende-se actores entre os 20 e os 25 anos) deverão enviar os seus curriculos para o email geral@ctalmada.pt.

5.9.11

Babel




















Babel, por Bruegel, no Museu Museu Boymans-van Beuningen