31.1.09

José Couto Nogueira

Gosta de pensar nos escritores como podendo pertencer a dois grupos distintos: o dos romancistas, que prosam ficcionando, engenhosamente inventando personagens e circunstâncias elaboradas pela imaginação, e o dos que prosam relatando, dedicando-se à escrita biográfica, ancorada em vivências pessoais. Pertence ao segundo grupo, este narrador da vida, autor de “Táxi” (baseado na sua experiência como taxista em Nova Iorque).

Jornalista, competentíssimo tradutor do inglês (entre muitos outros de Henry Miller, o escritor que despudoradamente escrevia com o inconsciente, com os sonhos, com as pulsões), é um português cosmopolita, um homem do mundo, eternamente fascinado pelas vanguardas estéticas e tecnológicas, pelas pequenas e grandes revoluções que inflectem a marcha do mundo, tornando-o um lugar saboroso para a existência. Nocturno sem complexos, aprecia o silêncio, a tranquilidade, e a beleza que apenas a noite desencobre. Lamenta que persista um preconceito fortíssimo em relação aos que elegem a noite para trabalhar, como se todas as virtudes fossem diurnas, e todos os defeitos noctívagos.
S.A.

"Os fantasmas assombram-me. Há algo de deprimente
no passado. Por um lado, não volta, já não é.
Esgotou as surpresas possíveis. Só deixou falsas promessas. Uma série de oportunidades gastas, um peso inútil. Mas, por outro lado, nunca desaparece. Deixa marcas, pelo que foi – e pelo que não foi.
Os gregos consideravam que estamos de costas para
o futuro, a ver o passado a distanciar-se cada vez mais,
até o perdermos de vista. O futuro está atrás de nós,
não sabemos como vai ser. Não há nada de mais excitante do que o futuro."
José Couto Nogueira, in
Pesquisa Sentimental (Livros d'Hoje), já à venda, por exemplo aqui.

25.1.09

Pop Dell'Arte



A mítica banda do João Peste num vídeoclip assinado pelo Zé Pinheiro para a Latina Europa (PopOff) no início dos anos 90.

20.1.09

João Aguardela







































































©2008 Clément Darrasse

17.1.09

1.1.09

Paul Verlaine

[mon rêve familier]

Je fais souvent ce rêve étrange et pénétrant
D'une femme inconnue, et que j'aime, et qui m'aime
Et qui n'est, chaque fois, ni tout à fait la même
Ni tout à fait une autre, et m'aime et me comprend.

Car elle me comprend, et mon coeur, transparent
Pour elle seule, hélas ! cesse d'être un problème
Pour elle seule, et les moiteurs de mon front blême,
Elle seule les sait rafraîchir, en pleurant.

Est-elle brune, blonde ou rousse ? - Je l'ignore.
Son nom ? Je me souviens qu'il est doux et sonore
Comme ceux des aimés que la Vie exila.

Son regard est pareil au regard des statues,
Et, pour sa voix, lointaine, et calme, et grave, elle a
L'inflexion des voix chères qui se sont tues.