Sou um objecto. Aviso já, para depois não me confundirem com um sujeito qualquer ou não pensarem que podem dispor de mim antes do verbo.
Como nunca ninguém me disse como é que eu era, não sei como é que sou, nem tenho palavras para me descrever, a mim e aos outros que estão aqui comigo, do lado do complemento directo.
Fazemos de tudo um pouco: dobramos esquinas, apanhamos correntes de ar, ajudamos todos aqueles que nos procuram em busca de acessórios, sobresselentes e tranquilidade.
De vez em quando, vem alguém buscar-nos para peças, atirar-nos para longe e ir-se embora.
objecto - como reparar avarias na estrada – António Pocinho, os pés frios dentro da cabeça (Fenda, 1999)

