REPORTAGEM:
Ópera dos malandros
ENTREVISTA:
Pe António de Jesus Pires
26.1.10
INTEGRAÇÃO DE MINORIAS (Notícias Magazine, edição de 10|01|2010
15.1.10
14.1.10
13.1.10
DESCENTRALIZAÇÃO DOS RECURSOS PARA A CULTURA

CARTA ABERTA À MINISTRA DA CULTURA,
MARIA GABRIELA CANAVILHAS,
E AO DIRECTOR GERAL DAS ARTES,
JORGE BARRETO XAVIER
MEDIDAS DE DESCENTRALIZAÇÃO NÃO CHEGAM AO ALENTEJO E ALGARVE
No comunicado da Direcção Geral das Artes de 8/1/2010 assinado por Jorge Barreto Xavier, e que anuncia a abertura dos procedimentos concursais, lê-se que “a distribuição do financiamento (global) observa um propósito de descentralização da oferta artística e cultural”. Mas pelo que veremos esta distribuição fica-se pelo “propósito”.
MAIS PROJECTOS PASSIVEIS DE APOIO, O MESMO DINHEIRO QUE EM 2009
No Alentejo e Algarve acontece uma mais que duplicação do máximo de projectos passíveis de serem apoiados, um factor aparentemente positivo. Mas este aumento é infértil porque o montante atribuído a cada uma destas regiões é semelhante ao de 2009.
Este facto leva-nos a concluir que o presente concurso está viciado porque, na realidade, nenhuma destas duas regiões terá possibilidade de ver mais do que 2 projectos apoiados, número também idêntico ao de 2009.
Analisados os montantes afectos a cada região para 2010 comparativamente com os montantes distribuídos em 2009 na modalidade de apoio anual, apenas a Região Norte é beneficiada com um aumento de cerca de 70.000 euros. O Alentejo obtém uma subida residual de 2.500 euros, o Algarve uma ligeira descida e o Centro perde cerca de 50.000 euros (porém, não consideramos esta situação tão grave como a do Alentejo e Algarve porque ainda assim o valor disponibilizado ao Centro é cerca de 4 vezes superior ao de cada uma destas duas regiões. Mas desta forma se vê que o aumento do Norte é maioritariamente feito com dinheiros do Centro e não de Lisboa e Vale do Tejo).
Esta distribuição dos montantes torna-se ainda mais grave ao analisarmos o número máximo de projectos a apoiar por região na sua relação com o valor médio afecto a cada projecto. O Norte passa de 9 projectos apoiados para a possibilidade de ver 10 projectos apoiados. O Centro passa de 4 para 5, Lisboa e Vale do Tejo passa de 12 para 10, o Alentejo de 2 para 5 e o Algarve também de 2 para 5, dando um total de 35 projectos.
No entanto nem todas as Regiões atingirão o máximo de projectos apoiados, já que o presente concurso se disponibiliza a apoiar apenas 29 projectos em termos globais, precisamente o mesmo número que em 2009.
É no valor médio que cada projecto pode valer que as discrepâncias regionais são enormes e bastante elucidativas. Partindo do principio que, de facto, qualquer uma das regiões pode alcançar o seu número máximo de projectos a serem apoiados, ainda que em desfavor de outras, são estas as médias: no Alentejo o valor médio é absurdamente baixo, valendo um projecto apenas 17.000 euros, no Algarve 21.000 euros, no Centro 75.000 euros, em Lisboa e Vale do Tejo 48.500 euros, e no Norte 58.000 euros.
Analisando a relação nº de projectos/montantes de financiamento só podemos concluir que esta relação funciona como um colete-de-forças que irá prejudicar com especial gravidade as regiões do Alentejo e Algarve, dando uma ínfima margem de manobra ao júri que irá avaliar as propostas.
Perante esta relação tornam-se óbvias quais serão as regiões que não atingirão o número máximo de projectos apoiados: o Alentejo e o Algarve, que em conjunto poderiam ver 10 projectos aprovados, mas tendo em conta os montantes atribuídos dificilmente passarão dos actuais 4 projectos apoiados (2 para cada). Todas as outras regiões conseguirão atingir o número máximo.
Não é esta a forma de corrigir as assimetrias regionais, negando espaço de progressão ao Alentejo e Algarve, e também, de algum modo, ao Centro. E este facto não pode ser justificado pela falta de dinâmica nas diferentes áreas artísticas e nas diferentes regiões: lembramos que em 2009, falando agora do Alentejo, só na área do Teatro, 1 quarto das candidaturas não foram apoiadas. Há portanto nesta Região uma dinâmica a ter em conta, reconhecida local e regionalmente, mas que não é apoiada pelo Estado.
Lembramos também que dentro das próprias regiões há gigantescas disparidades: se em Lisboa e Vale do Tejo e no Norte, o grosso do financiamento atribuído em 2009 apoiou projectos nas cidades de Lisboa e Porto, no Alentejo mais de 2 terços do financiamento apoiou projectos no eixo Évora/Montemor-o-Novo, dois concelhos limítrofes do Distrito de Évora. Já não falando de apoios atribuídos na Região Alentejo a projectos com sede real em Lisboa.
Vistos estes factos, apelamos que os montantes de financiamento disponíveis sejam aumentados o mais rapidamente possível em favor de uma real correcção da macrocefalia nacional dos apoios atribuídos às artes, dando especial atenção à Região do Alentejo, sem dúvida a mais prejudicada no presente concurso.
Aguardando resposta ao nosso apelo, cumprimentos do Sul,
Pelo Teatro Fórum de Moura
Jorge Feliciano
6.1.10
Camus

Rui Bebiano não esqueceu e assinala os 50 anos da morte de Camus no seu A Terceira Noite. Eduardo Graça retraça as passadas do escritor-combatente.
Eu leio L'Été e reencontro-me com Albert no Verão invencível que me habita em pleno Inverno («... (...) Au milieu de l'hiver, j'apprenais enfin qu'il y avait en moi un été invencible.»
1.1.10
Drummond de Andrade
RECEITA DE ANO NOVO
Carlos Drummond de Andrade
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

