7.9.11

call for actors


CASTING
O Teatro Municipal de Almada realiza um casting nos dias 19 e 20 de Setembro para seleccionar actores para a reposição do espectáculo “Santa Joana dos Matadouros”, de Bertolt Brecht, com encenação de Bernard Sobel, que estará em cena entre os dias 2 e 20 de Novembro na Sala Principal do TMA.
O período de ensaios é entre 1 e 31 de Outubro.
Os interessados (pretende-se actores entre os 20 e os 25 anos) deverão enviar os seus curriculos para o email geral@ctalmada.pt.

5.9.11

Babel




















Babel, por Bruegel, no Museu Museu Boymans-van Beuningen

4.9.11

A fronteira não é um muro, é uma pele [Elogio das fronteiras, Regis Debray]

(...) Face ao rolo compressor da convergência, com os seus consensos, concertações e compromissos, reanimemos as nossas últimas forças de divergência - defeitos e inconveniências, dialectos e tradutores, danças e deuses, vinhos e vícios. Todas as culturas devem aprender a fazer ouvidos moucos, a abrigar-se atrás de um quanto-a-si (...).

2.9.11

Carta à Transtejo

Fazia-me tão bem, ir ali a apanhar vento nos cacilheiros com vista para as estrelas. Durante cada uma dessas viagens, refiz-me, e ao Mundo, e cheguei a Cacilhas (ou a Lisboa), outra, nova, rica. Sei que todos os outros, ou que, em qualquer dos casos, muitos deles, faziam assim também – mudavam o Mundo em cada um desses trajectos de sete minutos de cais a cais, e chegavam, como eu, ao destino mais ricos. Faziam-nos tão bem, aquelas travessias toutes bêtes, porém cheias de promessas marítimas.

Agora somos todos mais pobres num barco mais "rico" – vamos confortavelmente, dormindo sentados as nossas vidas, nós que nos habituámos a sonhá-las de pé, no exterior do Eborense, por exemplo. Agora seguimos sentados, parecendo turistas. Nós, que conhecemos o rio e as suas margens, agora tornados turistas. Turistas a ver a paisagem magnífica mas em que a aventura marítima (que para além de contemplação e de silêncio, requer vento) a que cada um de nós se habituou, não mais pode fazer-se.


Agora vamos ridículos, sentados como em plateias, votados a uma só vista: a que as janelas nos dão. E vamos contrariados, e solidários com os velhos e as mães com carrinhos de bebés, que com dificuldade sobem e descem escadas feitas para gigantes sem limitações, ou jovens eternos, como se a população estivesse na Europa a rejuvenescer.


Um amigo meu considera ser este um complot para nos tornar macambúzios, ou enfim, para nos devolver à tragédia. E no entanto, nos outros barcos não naufragávamos jamais. Já nestes há bóias debaixo dos assentos. E écrans de televisores que por enquanto seguem apagados, mas que prometem ligação futura ao terror.


Se dessem a esse meu amigo a oportunidade de mudar algo em Portugal, ele mudava os barcos da Transtejo, repunha os velhos cacilheiros em circulação e não se falava mais nisso. | S.A.