24.9.11
7.9.11
call for actors
CASTING
O período de ensaios é entre 1 e 31 de Outubro.
Os interessados (pretende-se actores entre os 20 e os 25 anos) deverão enviar os seus curriculos para o email geral@ctalmada.pt.
5.9.11
4.9.11
A fronteira não é um muro, é uma pele [Elogio das fronteiras, Regis Debray]
(...) Face ao rolo compressor da convergência, com os seus consensos, concertações e compromissos, reanimemos as nossas últimas forças de divergência - defeitos e inconveniências, dialectos e tradutores, danças e deuses, vinhos e vícios. Todas as culturas devem aprender a fazer ouvidos moucos, a abrigar-se atrás de um quanto-a-si (...).
2.9.11
Carta à Transtejo
Fazia-me tão bem, ir ali a apanhar vento nos cacilheiros com vista para as estrelas. Durante cada uma dessas viagens, refiz-me, e ao Mundo, e cheguei a Cacilhas (ou a Lisboa), outra, nova, rica. Sei que todos os outros, ou que, em qualquer dos casos, muitos deles, faziam assim também – mudavam o Mundo em cada um desses trajectos de sete minutos de cais a cais, e chegavam, como eu, ao destino mais ricos. Faziam-nos tão bem, aquelas travessias toutes bêtes, porém cheias de promessas marítimas.
Agora somos todos mais pobres num barco mais "rico" – vamos confortavelmente, dormindo sentados as nossas vidas, nós que nos habituámos a sonhá-las de pé, no exterior do Eborense, por exemplo. Agora seguimos sentados, parecendo turistas. Nós, que conhecemos o rio e as suas margens, agora tornados turistas. Turistas a ver a paisagem magnífica mas em que a aventura marítima (que para além de contemplação e de silêncio, requer vento) a que cada um de nós se habituou, não mais pode fazer-se.
Agora vamos ridículos, sentados como em plateias, votados a uma só vista: a que as janelas nos dão. E vamos contrariados, e solidários com os velhos e as mães com carrinhos de bebés, que com dificuldade sobem e descem escadas feitas para gigantes sem limitações, ou jovens eternos, como se a população estivesse na Europa a rejuvenescer.
Um amigo meu considera ser este um complot para nos tornar macambúzios, ou enfim, para nos devolver à tragédia. E no entanto, nos outros barcos não naufragávamos jamais. Já nestes há bóias debaixo dos assentos. E écrans de televisores que por enquanto seguem apagados, mas que prometem ligação futura ao terror.
Se dessem a esse meu amigo a oportunidade de mudar algo em Portugal, ele mudava os barcos da Transtejo, repunha os velhos cacilheiros em circulação e não se falava mais nisso. | S.A.








